terça-feira, 17 de julho de 2012

João Paulo II – O Peregrino

Homem vestido de Branco
Que beijou sempre o chão
Visitou o mundo e todos os cantos
Foi homem de Paz e de Perdão

Nesta terra foi peregrino
Aceitando a grande missão
Sucessor de Pedro sempre a caminho
Construindo a reconciliação

Tinha grande devoção a Maria
Sua grande padroeira
Visitou Fátima com alegria
E ali rezou pela terra inteira


segunda-feira, 9 de julho de 2012

Oração


Senhor, ensina-nos a orar
A fazer silêncio interior
Senhor, ensina-nos a caminhar
Nas tuas sendas de amor.

A tua voz melodiosa faz ecoar
O louvor, de todo o coração
Os lábios não cessam de cantar
Hinos de paz, amor e gratidão.

A fé é dom de Deus, recebido
E aquele que te segue, Senhor,
Aberto à tua acção, convertido
Na vida revela o teu ardor.

Dá-me sabedoria na oração
Que nunca o deixe, jamais
Viva em harmonia e comunhão
E te siga sempre aonde vais.

                                             Filsilrei

sexta-feira, 6 de julho de 2012



Oração – As sete velas

Nas noites de desânimo e medo,

Quando ficamos sozinhos,

Sem encontrar caminho,

Ilumina os nossos passos,

Espírito de LUZ.


Nos dias de luta e cansaço,

nas dúvidas e incertezas,

quando nos falta o sossego,

acalma os nossos temores,

Espírito de PAZ.


No sofrimento dos pobres,

e na injustiça que oprime,

quando os humildes nos chamam,

aumenta a nossa coragem,

Espírito de FORTALEZA.


Quando chegam os momentos de tristeza,

e perdemos ilusões e esperanças,

quando chora o coração ferido,

estende para nós a tua mão amiga.

Espírito de ALEGRIA.


Para nunca desanimar na vida,

e oferecer sempre irmãos

trabalho, amor e serviço,

dá-nos um coração generoso,

Espírito de JUVENTUDE


Para seguir a Jesus,

Caminho, Verdade e Vida,

e sentir a sua amizade que nos vivifica,

dá-nos sede do infinito,

Espírito de VIDA.


Para poder testemunhar, alegres,

nas palavras e na vida,

Que existe um Deus que nos ama,

Ensina-nos a ser irmãos,

Espírito de AMOR.

VIDEO CANCION QUERED, SEÑOR MÍO, QUERED.wmv

domingo, 6 de maio de 2012

Para Sempre - Mãe


"Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho".

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Oração




Cântico das Criaturas

Cântico Refrão: Altíssimo, Omnipotente e bom Senhor, a Ti toda a honra, toda a glória, a ti o louvor.

1. Altíssimo, omnipotente, bom Senhor,
 2. a ti o louvor, a glória, a honra e toda a bênção.
 3. a ti só, Altíssimo, se hão-de prestar e nenhum homem é digno de te nomear.

Cântico Refrão: Altíssimo, Omnipotente e bom Senhor, a Ti toda a honra, toda a glória, a ti o louvor.

1. Louvado sejas o meu Senhor, com todas as tuas criaturas,
2. Especialmente o meu senhor irmão Sol, o qual faz o dia e nos alumia. E ele é belo e radiante, com grande esplendor: e de ti Altíssimo, nos dá a imagem.

Cântico Refrão: Altíssimo, Omnipotente e bom Senhor, a Ti toda a honra, toda a glória, a ti o louvor.

3. Louvado sejas ó meu Senhor,
1. pela irmã lua e as estrelas: no céu as acendeste, claras, e preciosas, e belas.

Cântico Refrão: Altíssimo, Omnipotente e bom Senhor, a Ti toda a honra, toda a glória, a ti o louvor.

2. Louvado sejas ó meu Senhor,
3. pelo irmão vento, e pelo ar, e nuvens, e sereno, e todo o tempo, por quem dás às tuas criaturas o sustento.

Cântico Refrão: Altíssimo, Omnipotente e bom Senhor, a Ti toda a honra, toda a glória, a ti o louvor.

1. Louvado sejas ó meu Senhor,
2. pela irmã água, que é tão útil, e humilde, e preciosa, e casta.

Cântico Refrão: Altíssimo, Omnipotente e bom Senhor, a Ti toda a honra, toda a glória, a ti o louvor.

3. Louvado sejas ó meu Senhor,
1.pela nossa irmã, a Mãe terra, que nos sustenta e governa, e produz frutos variados, com flores coloridas e verduras.

Cântico Refrão: Altíssimo, Omnipotente e bom Senhor, a Ti toda a honra, toda a glória, a ti o louvor.

2. Louvado sejas, ó meu Senhor,
3. por aqueles que perdoam por teu amor,  e suportam enfermidades e tribulações.
1. Ditosos os que as suportam em paz, por ti, Altíssimo, serão coroados,
2. Louvado sejas, ó meu Senhor,
3. por nossa irmã, a morte corporal, à qual nenhum vivente pode escapar.
1. Ai daqueles que morrem em pecado mortal!
2. Ditosos os que cumpriram tua santíssima vontade, porque a segunda morte não lhes fará mal.

3. Louvai e bendizei o meu Senhor, e dai-lhe graças e servi-o com grande humildade.

Cântico Refrão: Altíssimo, Omnipotente e bom Senhor, a Ti toda a honra, toda a glória, a ti o louvor.
Adaptação: Acácio Sanches. 
    
Escutar o cântico “Tu me conheces” – CD- água Viva
Salmo de quem canta o amor de Deus
Como tu és grande, Senhor!
e que bom é louvar-Te e dar-Te graças,
porque nunca Te cansas de amar a humanidade.
Que alegria sente o meu coração ao saber que pensas em mim!
Todos os problemas, desilusões e vendavais desaparecem, porque me sinto plena de paz.
Quem me afastará do teu amor?

No meio da cruz, reafirmaste o teu amor,
perdoando aos teus verdugos.
Quem me afastará do teu amor?
No meio dos insultos, dos gritos e das torturas, pedias às mulheres que não chorassem por Ti, mas pelos que Te suplicavam.
Quem me afastará do teu amor?

Quando todos queriam condenar a mulher
adúltera, Tu olhaste-a com amor,
perdoaste-a e salvaste-a da morte certa,
Quem me afastará do teu amor?

Quando Maria Madalena banhou os teus pés com lágrimas, enquanto a gente murmurava e falava mal dela, Tu dirigiste-lhe a palavra, não para condenar, mas para lhe concederes o perdão.
Quem me afastará do teu amor?

Por anunciares a verdade, perseguiram-te, prepararam um juízo, com testemunhos falsos, compraram o povo para que pedisse a tua condenação. No fim, condenaram-te ao suplício mais indesejado; a uma morte destinada à escória da sociedade. Mas, na cruz, perdoaste a todos.
Quem me afastará do teu amor?

Ao morreres, ficámos órfãos.
Mas deste-nos à tua mãe, como nossa Mãe. Ela acompanhou os discípulos,
naqueles três dias intermináveis
e hoje continua a acompanhar-nos
no nosso peregrinar diário.
Quem me afastará do teu amor?

Pedro negou - Te três vezes, as três em tom de enfado. Os restantes discípulos desapareceram. Ninguém sabia onde estavam. Todos se esconderam e ninguém queria saber nada de ti. Porém, ao terceiro dia ressuscitaste, apareceste aos doze e em vez de lhes lançares na cara o seu comportamento, a sua cobardia, a sua fuga, disseste-lhes com palavras cheias de amor, "a paz esteja convosco"
Quem me afastará do teu amor?

Nada nem ninguém, Senhor
nada nos afastará do grande amor que tens por nós. Nem as espadas, nem as guerra, nem a perseguição, nem sequer as nossas dívidas.
Como és grande, Senhor!

Leitura Bíblica
«Assim como o Pai me tem amor, assim Eu vos amo a vós. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu, que tenho guardado os mandamentos do meu Pai, também permaneço no seu amor. Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa. É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei. Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. Já não vos chamo servos, visto que um servo não está ao corrente do que faz o seu senhor; mas a vós chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi ao meu Pai. (Jo15,9-15)

Partilha
Oração final - Toma as minhas mãos

Toma as minhas mãos, Senhor
E usa-as como se fossem Tuas.
Sejam instrumentos de amor
A iluminar e a aquecer.

Toma os meus pés, Senhor
E usa-os como se fossem Teus.
Sejam mensageiros do amor.
No caminho dos irmãos

Toma meu coração, Senhor
E usa-o como se fosse Teu.
Seja expressão do Teu amor, Senhor
Do Teu infinito amor.

Toma tudo o que sou, Senhor
Renovo com amor a minha entrega.
Seja sinal da minha gratidão
Minha vida em tuas mãos.

Cântico final: Entoemos hinos oo… ao Senhor cantemos oo.. Louvai a Deus Terra inteira. Aleluia, Aleluia.     

Vieni vieni Spirito d'Amore.wmv

Ruah

Vigília do Espírito Santo

 Introdução
  1. Cântico – Espírito de Amor
  1. Saudação

A paz do Senhor esteja convosco.

R/ E contigo também.

Nesta noite demos uns minutos a Deus.
Preparemo-nos interiormente para escutar a Sua Palavra. Ele tem sempre boas novas para nos comunicar.
Que a semente de Palavra encontre um campo bem preparado, oremos ao Espírito.

  1. Oração inicial

Intervenção de uma pessoa

Espírito Santo, que encheste os corações dos apóstolos no cenáculo:
R/ Vem aos nossos corações.


Espírito Santo, por quem os apóstolos pregavam a palavra de Deus com audácia e liberdade:
R/ Vem aos nossos corações.


Espírito Santo, que desceste sobre os que ouviam a palavra de Pedro:
R/ Vem aos nossos corações.


Espírito Santo, que enchias de alegria os que abraçavam a fé:
R/ Vem aos nossos corações.


Espírito Santo, que és luz, força e consolação;
R/ Vem aos nossos corações.



  1. Cântico – Espírito de Amor


Leitura do profeta Ezequiel (37, 1-14)
A mão do Senhor desceu sobre mim; então, conduziu-me em espírito e colocou-me no meio de um vale que estava cheio de ossos. 2Fez-me passar junto deles, à sua volta, e eis que eles eram muitos sobre o solo do vale; e estavam completamente ressequidos. 3O Senhor disse-me: «Filho de homem, estes ossos poderão voltar à vida?» Eu respondi: «Senhor Deus, só Tu o sabes.» 4Ele disse-me: «Profetiza sobre estes ossos e diz-lhes: Ossos ressequidos, ouvi a palavra do Senhor. 5Assim fala o Senhor Deus a estes ossos: Eis que vou introduzir em vós o sopro da vida para que revivais. 6Dar-vos-ei nervos, farei crescer a carne que revestirei de pele e depois dar-vos-ei o sopro da vida, para que revivais. Sabereis assim, que Eu sou o Senhor.» 7Profetizei, segundo a ordem recebida. E aconteceu que, enquanto eu profetizava, ouviu-se um ruído, depois um tumulto ensurdecedor; entretanto, os ossos iam-se juntando uns aos outros. 8Olhei e eis que se formavam nervos, a carne crescia, e a pele cobria-os por cima; mas neles não havia espírito. 9Então, Ele disse-me: «Profetiza! Profetiza, filho de homem, e diz ao espírito: Assim fala o Senhor Deus: Espírito, vem dos quatro ventos, sopra sobre estes mortos, para que eles recuperem a vida’.» 10Profetizei como me era ordenado e, imediatamente, o espírito penetrou neles. Retomando a vida, endireitaram-se sobre os pés; era um exército muito numeroso. 11Ele disse-me: «Filho de homem, esses ossos são toda a casa de Israel. Eles dizem: ‘Os nossos ossos estão completamente ressequidos, a nossa esperança desvaneceu-se; ficámos reduzidos a isto.’ 12Profetiza, por conseguinte, e diz-lhes: Assim fala o Senhor Deus: Eis que abrirei as vossas sepulturas e vos farei sair delas, meu povo, e vos reconduzirei à terra de Israel. 13Então, reconhecereis que Eu sou o Senhor Deus, quando abrir as vossas sepulturas e vos fizer sair delas, ó meu povo. 14Introduzirei em vós o meu espírito e vivereis; estabelecer-vos-ei na vossa terra. Então, reconhecereis que Eu, o Senhor, falei e agi» - oráculo do Senhor.



Comentário
Na leitura de Ezequiel, o Espírito dá vida aos ossos ressequidos. Esse Espírito foi prometido para os últimos tempos. Ele viria e daria aos crentes um espírito novo, uma vida nova.
Cântico -  Confiarei

Evangelho de S. João 20, 19-23
Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» 20Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. 21E Ele voltou a dizer-lhes: «A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.» 22Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo. 23Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.» 24Tomé, um dos Doze, a quem chamavam o Gémeo, não estava com eles quando Jesus veio. 25Diziam-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor!» Mas ele respondeu-lhes: «Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito.» 26Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: «A paz seja convosco!» 27Depois, disse a Tomé: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.» 28Tomé respondeu-lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» 29Disse-lhe Jesus: «Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto!»
Comentário

Na leitura do Evangelho Cristo Ressuscitado sopra sobre os apóstolos e comunica-lhes o Espírito Santo. Porquê o sopro? Porque é sinal de vida. Enquanto o oxigénio circular em nós e nos vivificar, teremos vida.

Oração – partilhada
Gesto simbólico
Credo

Professamos a nossa fé, dizendo: “Sim, creio”.

Leitor - Creio em Deus Pai,
Cuja palavra criadora sustém os homens e o mundo, porque ele é a Vida.
Presidente. Acreditais em Deus?
R / Sim, Creio

Leitor – Creio no Filho, Jesus Cristo, nascido entre os mais pobres, solidário connosco, que não nos deixou órfãos e vive no meio de nós.
Presidente. Acreditais em Jesus Cristo
R / Sim, Creio

Leitor – Creio no Espírito Santo, que nos habita e nos enche de força e audácia para sermos anunciadores de vida nova e feliz.
Presidente. Acreditais no Espírito Santo?
R / Sim, Creio

Leitor – Creio na Igreja, que o Espírito Santo renova sem cessar para ser no mundo sinal e sacramento de fraternidade.
Presidente. Acreditais na Igreja?
R / Sim, Creio

Leitor – Creio na vida eterna, porque o Espírito do Senhor nos fez renascer e dará a vida em plenitude no final dos tempos.
Presidente. Acreditais na vida eterna?
R / Sim, Creio

Cântico – Vede Senhor
Oração – (feita por 7 pessoas – sete velas)


  1. Nas noites de desânimo e medo,


Quando ficamos sozinhos,

Sem encontrar caminho,
Ilumina os nossos passos,
Espírito de LUZ.


  1. Nos dias de luta e cansaço,
nas dúvidas e incertezas,

quando nos falta o sossego,

acalma os nossos temores,
Espírito de PAZ.


  1. No sofrimento dos pobres,

e na injustiça que oprime,

quando os humildes nos chamam,

aumenta a nossa coragem,
Espírito de FORTALEZA.


  1. Quando chegam os momentos de tristeza,

e perdemos ilusões e esperanças,

quando chora o coração ferido,

estende para nós a tua mão amiga.
Espírito de ALEGRIA.


  1. Para nunca desanimar na vida,

e oferecer sempre irmãos

trabalho, amor e serviço,

dá-nos um coração generoso,
Espírito de JUVENTUDE


  1. Para seguir a Jesus,

Caminho, Verdade e Vida,

e sentir a sua amizade que nos vivifica,

dá-nos sede do infinito,
Espírito de VIDA.


  1. Para poder testemunhar, alegres,

nas palavras e na vida,

Que existe um Deus que nos ama,

Ensina-nos a ser irmãos,
Espírito de AMOR.

Gesto – Imposição das mãos (feito em silêncio)
CD – Ruah – interiorizar
Pai – Nosso

Envio: Levemos para toda a parte a bênção de Deus, ele que é Pai, Filho e Espírito Santo. Ámen
Cântico – Dar mais


Bento XVI, Papa há sete anos

Bento XVI, Papa há sete anos

domingo, 1 de abril de 2012

Mensagem do Papa ao 27º Dia Mundial da Juventude

Mensagem do Papa ao 27º Dia Mundial da Juventude

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Via Sacra

I. Estação – Jesus é condenado à morte 
Mt. 27, 22-26 Pilatos disse-lhes: «Que hei-de fazer, então, de Jesus chamado Cristo?» Todos responderam: «Seja crucificado!» Pilatos insistiu: «Que mal fez Ele?» Mas eles cada vez gritavam mais: «Seja crucificado!» 
Pilatos, vendo que nada conseguia e que o tumulto aumentava cada vez mais, mandou vir água e lavou as mãos na presença da multidão, dizendo: «Estou inocente deste sangue. Isso é convosco.» E todo o povo respondeu: «Que o seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos!» 

Oração: Senhor ao fazer-Te Deus – connosco Tu elevas a dignidade humana. E nós escutamos: “Seja crucificado!” Não é a Ti, Elerno Vivente, mas a si próprio que o homem condena à morte quando não se importa que a injustiça prevaleça… É pelo homem que o Homem sofre. 

Cântico – Via de Amor

II. Estação – Jesus leva a cruz aos ombros 
Mt. 27, 27-31 Coroação de espinhos (Mc 15,16-20; Jo 19,1-3) - Os soldados do governador conduziram Jesus para o pretório e reuniram toda a corte à volta dele. Despiram-no e envolveram-no com um manto escarlate. Tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e uma cana na mão direita. Dobrando o joelho diante dele, escarneciam-no, dizendo: «Salve! Rei dos Judeus!» E, cuspindo-lhe no rosto, agarravam na cana e batiam-lhe na cabeça. Depois de o terem escarnecido, tiraram-lhe o manto, vestiram-lhe as suas roupas e levaram-no para ser crucificado. 

Oração: Ó Bom Pastor que hoje e sempre carregas toda a humanidade como carregaste alegremente a ovelha perdida.

Cântico: O Senhor é meu Pastor

III. Jesus é ajudado por Simão de Cirene
Mt. 27, 32 32À saída, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e obrigaram-no a levar a cruz de Jesus.

Oração: Senhor Jesus, Tu não fechas os olhos à realidade da cruz e do sofrimento, mas nos dizes que só carregando com amor a nossa e a cruz do outro é possível enfrentar, aliviando, as múltiplas provações da vida.

IV. Verónica enxuga a face de Jesus
Sl 27, 8-9 O meu coração murmura por ti,
os meus olhos te procuram;
é a tua face que eu procuro, SENHOR.
Não desvies de mim o teu rosto,
nem afastes, com ira, o teu servo.
Tu és o meu amparo: não me rejeites nem abandones,
ó Deus, meu salvador!

Oração: Ó Senhor, ajuda-nos a não pensarmos só em nós mesmos, e não estragarmos a alegria dos outros, com os nossos relatos de sofrimentos e traições. Torna-nos capazes de valorizar todos os pequenos gestos de amor que cheguem até nós como uma caricia tua, como um alento que nos dá força. 

Cântico – Via de Amor

V. Jesus encontra as mulheres de Jerusalém
Lc. 23, 27-31 Seguiam Jesus uma grande multidão de povo e umas mulheres que batiam no peito e se antes por vós mesmas e pelos vossos filhos; pois virão dias em que se dirá: ‘Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram.’ Hão-de, então, dizer aos montes: ‘Caí sobre nós!’ E às colinas: ‘Cobri-nos!’ Porque, se tratam assim a árvore verde, o que não acontecerá à seca?» 

Oração: Ó Jesus, olha a multidão destas mulheres sobre a terra… Choram sim… Mulheres que no Teu e no seio da Tua Mãe derramam o rio das suas lágrimas para que cada dor tenha a sua compaixão, a graça do amor redime. 

Cântico – Via de Amor

VI. Jesus despojado das suas vestes
Mt 27, 33-37 Quando chegaram a um lugar chamado Gólgota, isto é, «Lugar do Crânio», deram-lhe a beber vinho misturado com fel; mas Ele, provando-o, não quis beber. Depois de o terem crucificado,repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte. Ficaram ali sentados a guardá-lo. Por cima da sua cabeça, colocaram um escrito, indicando a causa da sua condenação: «Este é Jesus, o rei dos Judeus.» 

Oração: Ó Senhor entraste no mundo despojando-te da tua glória de Filho de Deus, para nasceres Filho do Homem e o elevares a filho de Deus.

Cântico: O Senhor é meu Pastor

VII. Jesus é sepultado
Mt. 27, 59-61 José tomou o corpo, envolveu-o num lençol limpo e depositou-o num túmulo novo, que tinha mandado talhar na rocha. Depois, rolou uma grande pedra contra a porta do túmulo e retirou-se. Maria de Magdala e a outra Maria estavam ali sentadas, em frente do sepulcro. 

Oração: Sobre o monte do Calvário impõe-se um profundo silêncio ponto. A dor já não tem lágrimas, nem palavras. Agora o Servo Sofredor, dorme, vigiado pelos guardas, mas não está sepultado com Ele a destemida esperança. Sim, porque depois do Seu profundo tormento ele verá a Luz. 

Cântico: O Senhor é meu Pastor

VIII. Ressurreição de Jesus 

Oração: Espontânea

Cântico: Tu és fonte de Vida

sábado, 24 de março de 2012



Via - Sacra de João Paulo II

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
R. 
Ámen.  

Via-Sacra da comunidade eclesial da Urbe
convocada junto do Coliseu,
monumento dramático e glorioso da Roma imperial,
testemunha muda de força e domínio,
memorial de acontecimentos de vida e de morte,
onde parecem ressoar, como um eco interminável,
clamores de sangue (cf. Gn 4, 10)
e palavras que imploram concórdia e perdão.

Via-Sacra do vigésimo quinto aniversário do meu Pontificado
como Bispo de Roma e Pastor da Igreja universal.
Por graça de Deus, nestes vinte e cinco anos
do meu serviço pastoral nunca faltei a este encontro,
verdadeira Statio Urbis et Orbis, encontro da Igreja de Roma
com os peregrinos vindos de todas as partes do mundo
e com milhões de fiéis que acompanham a Via-Sacra
através da rádio e da televisão.
Também este ano, por renovada misericórdia do Senhor,
estou convosco para percorrer na fé
o trajecto que Jesus fez desde o Pretório de Pôncio Pilatos
até ao cimo do Calvário.

Via-Sacra,
abraço ideal entre Jerusalém e Roma, entre a Cidade amada por Jesus, onde Ele deu a vida pela salvação do mundo, e a Cidade-sede do Sucessor de Pedro, que preside à caridade eclesial. 

Via-Sacra, caminho de fé: em Jesus condenado à morte reconheceremos o Juiz universal;
n'Ele carregando a Cruz, o Salvador do mundo;
n'Ele crucificado, o Senhor da história, o próprio Filho de Deus. 
Noite de Sexta-feira Santa,
noite tépida e trepidante da primeira lua-cheia de Primavera.
Estamos reunidos em nome do Senhor.
Ele está aqui conosco, como prometeu (cf. Mt 18, 20). 
Connosco está também a Virgem Santa Maria.
Ela esteve no cimo do Gólgota como Mãe do Filho moribundo,
Discípula do Mestre da verdade,
nova Eva junto da árvore da vida,
Mulher da dor associada ao «Homem das dores, experimentado nos sofrimentos» (Is 53, 3),
Filha de Adão, Irmã nossa, Rainha da Paz. 
Mãe de misericórdia,
Ela inclina-Se sobre os seus filhos, ainda expostos a perigos e aflições, para ver os seus sofrimentos, ouvir o gemido que se eleva da sua miséria,
para levar conforto e reavivar a esperança da paz 

  Oremos: 
 Alguns momentos de silêncio.  
Olhai, Pai Santo,
o sangue que jorra do peito trespassado do Salvador;
olhai o sangue derramado por tantas vítimas
do ódio, da guerra, do terrorismo,
e concedei, benigno, que o curso dos acontecimentos no mundo
se desenrole segundo a vossa vontade na justiça e na paz,
e a vossa Igreja se entregue com serena confiança
ao vosso serviço e à libertação do homem.
Por Cristo nosso Senhor
R.  Ámen.
 PRIMEIRA ESTAÇÃO - Jesus é condenado à morte

V. Nos vos adoramos e bendizemos Senhor Jesus
R. Que pela vossa santa cruz remistes o mundo
Do Evangelho de S. Marcos 15, 14-15
Eles gritaram ainda mais: "Crucifica-O!". Pilatos, desejoso de agradar à multidão, soltou-lhes Barrabás e, depois de mandar açoitar Jesus, entregou-O para ser crucificado.
 MEDITAÇÃO
A sentença de Pilatos foi proferida sob pressão dos sacerdotes e da multidão. A condenação à morte por crucifixão serviria para satisfazer as suas paixões dando resposta ao grito: "Crucifica-O! Crucifica-O!" (Mc 15, 13-14; etc.). O pretor romano pensou que podia subtrair-se à sentença lavando-se as mãos, como antes se desinteressara das palavras de Cristo que tinha identificado o seu reino com a verdade, com o testemunho da verdade (Jo 18, 38). Num caso e noutro, Pilatos procurava conservar a sua independência, ficar de qualquer modo "de fora". Mas, só na aparência... A Cruz, à qual foi condenado Jesus de Nazaré (Jo 19, 16), tal como a sua verdade do reino (Jo 18, 36-37) deviam tocar no mais fundo da alma do pretor romano. Tratou-se e trata-se duma Realidade, diante da qual é impossível ficar de fora ou à margem. O facto de Jesus, o Filho de Deus, ter sido interrogado sobre o seu reino e por isso ter sido julgado pelo homem e condenado à morte, constitui o princípio daquele testemunho final de Deus que tanto amou o mundo (cf. Jo 3, 16).
Nós encontramo-nos perante este testemunho e sabemos que não nos é lícito lavar as mãos.
ACLAMAÇÕES
Jesus de Nazaré, condenado à morte de cruz,
testemunha fiel do amor do Pai.
R. Kyrie, eleison.
Jesus, Filho de Deus, obediente à vontade do Pai
até à morte de cruz.
R. Kyrie, eleison.
Todos: Pai - Nosso

Cântico: Stabat Mater dolorosa
iuxta crucem lacrimosa,
dum pendebat Filiu
s.
  
V. Nos vos adoramos e bendizemos Senhor Jesus
R. Que pela vossa santa cruz remistes o mundo

Do evangelho segundo São Mateus 27, 27-31
Então, os soldados do governador levaram Jesus consigo para o Pretório e reuniram junto d'Ele toda a companhia. Depois de O terem despido, envolveram-n'O em um manto encarnado. Teceram uma coroa de espinhos, que Lhe puseram na cabeça, e, na mão direita, colocaram-Lhe uma cana. Ajoelharam-se diante d'Ele e escarneceram-n'O dizendo: "Salve, ó rei dos Judeus!" Depois, cuspiram n'Ele e pegaram na cana e puseram-se a bater-Lhe com ela na cabeça. No fim de O terem escarnecido, despiram-Lhe o manto, vestiram-Lhe as suas roupas e levaram-n'O para O crucificarem.

 MEDITAÇÃO
Começa a execução, ou seja, a actuação da sentença. Condenado à morte, Cristo tem de carregar a cruz, como os outros dois condenados que devem sofrer a mesma pena: "Foi contado entre os malfeitores" (Is 53, 12). Cristo aproxima-Se da Cruz, tendo todo o corpo terrivelmente dilacerado e pisado, e com o sangue que da cabeça coroada de espinhos Lhe escorre pelo rosto. Ecce Homo! (Jo 19, 5). N'Ele está toda a verdade do Filho do Homem que os profetas predisseram, a verdade sobre o Servo de Jahvé anunciada por Isaías: "Foi esmagado pelas nossas iniquidades; (...) fomos curados nas suas chagas" (Is 53, 5).
N'Ele está presente também uma certa consequência, que nos deixa estupefactos, daquilo que o homem fez ao seu Deus. Pilatos diz: "Ecce Homo" (Jo 19, 5); "vede o que fizestes deste homem!" Nesta afirmação, parece falar outra voz, como se dissesse: "Vede o que fizestes, neste homem, ao vosso Deus!"
É impressionante a sobreposição, a inter-relação desta voz que ouvimos através da história com aquilo que nos chega através da certeza da fé. Ecce Homo! Jesus, "chamado Cristo" (Mt 27, 17), toma a Cruz sobre os seus ombros (Jo 19, 17). Começou a execução.

ACLAMAÇÕES
Cristo, Filho de Deus,
que revelais ao homem o mistério do homem.
R. Kyrie, eleison.
Jesus, servo do Senhor,
pelas vossas chagas fomos curados.
R. Kyrie, eleison.
 Todos: Pai-Nosso

Cântico: Cuius animam gementem,
contristatam et dolentem
pertransivit gladius.

V. Nos vos adoramos e bendizemos Senhor Jesus
R. Que pela vossa santa cruz remistes o mundo

Do livro do profeta Isaías 53, 4-6
Eram os nossos males que Ele suportava, e as nossas dores que tinha sobre Si. Mas nós víamos n’Ele um homem castigado, ferido por Deus e sujeito à humilhação. Ele foi trespassado por causa das nossas culpas, e esmagado devido às nossas faltas. O castigo que nos salva, caiu sobre Ele, e por causa das suas chagas é que fomos curados. Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, seguindo cada qual o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre Ele as faltas de todos nós.

 MEDITAÇÃO
Jesus cai sob a Cruz. Cai por terra. Não recorre às suas forças sobre-humanas, não recorre à força dos anjos. "Julgas que não posso rogar a meu Pai, que imediatamente Me enviaria mais de doze legiões de anjos?" (Mt 26, 53). Mas não o pede. Tendo aceite o cálice das mãos do Pai (Mc 14, 36; etc.), quer bebê-lo até ao fundo. É isto mesmo o que quer. E por isso não pensa em quaisquer forças sobre-humanas, embora estejam ao seu dispor. Poderão provar estranheza aqueles que O tinham visto quando comandava às enfermidades humanas, às mutilações, às doenças, à própria morte. E agora? Nega Ele tudo isto? E todavia "nós esperávamos...", dirão alguns dias depois os discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 21). "Se és Filho de Deus..." (Mt 27, 40), hão-de provocá-Lo os membros do Sinédrio. "Salvou os outros, e não pode salvar-Se a Si mesmo" (Mc 15, 31; Mt 27, 42): gritará a multidão.
E Ele aceita estas provocações, que parecem anular todo o sentido da sua missão, dos discursos pronunciados, dos milagres realizados. Aceita todas aquelas palavras; decidiu não opor-Se. Quer ser ultrajado. Quer vacilar. Quer cair sob a Cruz. Quer. É fiel até ao fim, mesmo nos mínimos detalhes, a esta afirmação: "Não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres" (Mc 14, 36; etc.).
Deus extrairá a salvação da humanidade das quedas de Cristo sob a Cruz.

ACLAMAÇÕES
Jesus, manso Cordeiro redentor,
que carregais sobre vós o pecado do mundo.
R. Kyrie, eleison.
Jesus, nosso companheiro no tempo da angústia,
solidário com a fragilidade humana.
R. Kyrie, eleison.
  
Todos: Pai-Nosso

Cântico: O quam tristis et afflicta
fuit illa benedicta
Mater Unigeniti!

V. Nos vos adoramos e bendizemos Senhor Jesus
R. Que pela vossa santa cruz remistes o mundo


Do evangelho segundo São Lucas 2, 34-35.51
Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: "Ele foi estabelecido para a queda e o ressurgir de muitos em Israel, e para ser sinal de contradição; e uma espada Te há-de traspassar a alma. Assim se deverão revelar os intentos de muitos corações" (...) Sua mãe guardava no coração todas estas recordações.
  
MEDITAÇÃO
A Mãe. Maria encontra o Filho a caminho da Cruz. A sua cruz torna-se a cruz d'Ela; a humilhação d'Ele é a sua, o opróbrio público torna-se o d'Ela. É a ordem humana das coisas. Assim o devem sentir aqueles que A rodeiam, e assim o entende o coração d'Ela: "Uma espada trespassará a tua alma" (Lc 2, 35). As palavras pronunciadas quando Jesus tinha quarenta dias, cumpriam-se neste momento. Atingem agora toda a sua plenitude. E Maria, trespassada por esta espada invisível, encaminha-se para o Calvário do seu Filho, para o seu próprio Calvário. A devoção cristã vê-A com esta espada no coração, e assim A representa e modela. Mãe das Dores!
"Ó Vós que sofrestes com Ele!" - repetem os fiéis, sentindo no seu íntimo que é assim mesmo que se deve exprimir o mistério deste sofrimento. Embora esta dor Lhe pertença e A toque mesmo no fundo da sua maternidade, todavia a verdade plena deste sofrimento é expressa pelo termo compaixão. Faz parte do próprio mistério: exprime de certo modo a unidade com o sofrimento do Filho.

ACLAMAÇÕES
Santa Maria, mãe e irmã nossa no caminho de fé,
convosco invocamos o vosso Filho Jesus.
R. Kyrie, eleison.

Santa Maria, intrépida a caminho do Calvário,
convosco suplicamos o vosso Filho Jesus.
R. Kyrie, eleison.
 
Todos: Pai-Nosso
   
Cântico - Quæ mærebat et dolebat,
pia Mater, dum videbat
Nati pœnas incliti.


 V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
 R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Do evangelho segundo São Mateus 27, 32; 16, 24
Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e requisitaram-no, para levar a cruz de Jesus. Jesus disse aos seus discípulos: "Se alguém quiser seguir-Me, renegue-se a si mesmo, pegue na sua cruz e siga-Me".

MEDITAÇÃO
 Simão de Cirene, designado para levar a Cruz (cf. Mc 15, 21; Lc 23, 26), certamente não queria levá-la. Por isso teve de ser obrigado. Caminhava ao lado de Cristo sob o mesmo peso. Emprestava-Lhe os seus ombros, sempre que os ombros do condenado pareciam vacilar. Estava perto d'Ele: mais perto do que Maria, mais perto que João, o qual, embora sendo homem, não foi chamado para O ajudar. Chamaram-no a ele, Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo, como refere o Evangelho de S. Marcos. Chamaram-no, forçaram-no.
Quanto durou este constrangimento? Quanto tempo terá caminhado ao lado de Jesus, fazendo sentir que nada tinha a ver com o condenado, com a sua culpa, com a sua pena? Quanto tempo terá passado assim, interiormente dividido, atrás duma barreira de indiferença para com o Homem que sofria? "Estava nu, tive sede, estive na prisão" (cf. Mt 25, 35.36), levei a Cruz... e tu levaste-a Comigo? Levaste-a Comigo verdadeiramente até ao fim?
Não se sabe. S. Marcos refere apenas o nome dos filhos de Cireneu e a tradição afirma que pertenciam à comunidade dos cristãos ligada a S. Pedro (cf. Rm 16, 13).

ACLAMAÇÕES
Cristo, bom samaritano, fostes ao encontro do pobre, do doente, do último.
R. Kyrie, eleison.

Cristo, servo do Eterno, considerais como feito a Vós cada gesto de amor para com o refugiado, o marginalizado, o estrangeiro.
R. Kyrie, eleison.
 
 Todos: Pai-Nosso

 Cântico -  Quis est homo qui non fleret,
Matrem Christi si videret
in tanto supplicio?

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Do livro do profeta Isaías 53, 2-3
O meu Servo cresceu (…) sem distinção nem beleza que atraia o nosso olhar, nem aspecto agradável que possa cativar-nos. Desprezado e repelido pelos homens, homem de dores, afeito ao sofrimento, é como aquele a quem se volta a cara, pessoa desprezível, da qual se não faz caso.

Do livro dos Salmos 27/26, 8-9
Segredou-me o coração: "Procura a sua face!" É, Senhor, o vosso rosto que eu persigo. Não escondais de mim o vosso rosto, nem rejeiteis com ira o vosso servo. Vós sois a minha ajuda, o Deus da minha salvação.
 
MEDITAÇÃO
 A tradição fala-nos da Verónica. Talvez aquela complete a história do Cireneu. Na verdade, embora - mulher que era - não tenha levado fisicamente a Cruz nem a isso tenha sido forçada, o certo é que esta Cruz com Jesus, ela a levou: levou-a como podia, como lhe era possível fazer naquele momento e como lho ditava o coração, isto é, enxugando o seu Rosto.
A explicação deste facto, referido pela tradição, parece fácil também: no lenço com que ela Lhe enxugou o Rosto, ficaram gravadas as feições de Cristo. Precisamente porque estava todo ensanguentado e soado, podia deixar traços e lineamentos.
Mas, o sentido deste acontecimento pode ser interpretado também doutra maneira, se o analisarmos à luz do discurso escatológico de Cristo. Serão muitos, sem dúvida, aqueles que vão perguntar: "Senhor, quando é que fizemos isto?". E Jesus responderá: "Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes" (cf. Mt 25, 37-40). De facto, o Salvador imprime a sua imagem em cada acto de caridade, como o fez no lenço de Verónica.

ACLAMAÇÕES
Ó Rosto do Senhor Jesus, desfigurado pela dor, resplandecente da glória divina.
R. Kyrie, eleison.

Ó Rosto sagrado,impresso como um selo em cada gesto de amor.
R. Kyrie, eleison.
 
 Todos: Pai-nosso
  
 Cântico: Pro peccatis suae gentis
vidit Iesum in tormentis
et flagellis subditum.

 
 
V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Do livro das Lamentações 3, 1-2.9.16
Eu sou o homem que conheceu a miséria sob a vara do seu furor. Ele me guiou e me fez andar nas trevas e não na luz. (…) Embarrou meus caminhos com blocos de pedra, obstruiu minhas veredas. (…) Ele quebrou meus dentes com cascalho, mergulhou-me na cinza.

MEDITAÇÃO
 "Eu sou um verme e não um homem, o opróbrio dos homens e a abjecção da plebe" (Sal 22/21, 7): as palavras do profeta-salmista cumprem-se plenamente nestas vielas estreitas e árduas de Jerusalém, durante as últimas horas que antecedem a Páscoa. Sabe-se que estas horas, antes da festa, são enervantes e que as estradas estão apinhadas. É neste contexto que se cumprem as palavras do salmista, embora ninguém o pense. Certamente não se dão conta disto aqueles que demonstram desprezo à vista deste Jesus de Nazaré que cai pela segunda vez sob a Cruz, tornando-Se para eles objecto de opróbrio.
É Ele que o deseja; quer que se cumpra a profecia. Por isso, cai exausto pelo esforço feito. Cai por vontade do Pai, vontade expressa também nas palavras do Profeta. Cai por sua vontade própria, porque "como se cumpririam então as Escrituras?" (Mt 26, 54). "Eu sou um verme e não um homem" (Sal 22/21, 7), e consequentemente nem sequer o "Ecce Homo" (Jo 19, 5), sou menos ainda, ainda pior...
O verme rasteja no meio da terra; ao contrário, o homem, como rei das criaturas, caminha por cima dela. O verme também rói a madeira: como o verme, o remorso do pecado rói a consciência do homem. Remorso pela segunda queda.

ACLAMAÇÕES
Jesus de Nazaré, que Vos tornastes a infâmia dos homens, para enobrecer todas as criaturas.
R. Kyrie, eleison.

Jesus, servidor da vida,esmagado pelos homens, exaltado por Deus.
R. Kyrie, eleison.
 
 
Todos: Pai-Nosso

Cântico:  Quis non posset contristari,
Christi Matrem contemplari,
dolentem cum Filio
?
  
V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Do evangelho segundo São Lucas 23, 28-31
Jesus voltou-Se para elas e disse-lhes: "Mulheres de Jerusalém, não choreis por Mim; chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos. Pois dias virão em que se dirá: "Felizes as estéreis, as entranhas que não tiveram filhos e os peitos que não amamentaram". Nessa altura, começarão a dizer aos montes: "Caí sobre nós", e às colinas: "Encobri-nos". Porque se fazem assim no madeiro verde, que será no madeiro seco?"
 
MEDITAÇÃO
 Eis o apelo ao arrependimento, ao verdadeiro arrependimento, à compunção, na verdade do mal cometido. Jesus diz às filhas de Jerusalém que choram, ao vê-Lo passar: "Não choreis por Mim; chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos" (Lc 23, 28). Não se pode ficar pela superfície do mal; é preciso chegar até ao fundo das suas raízes, das causas, da verdade da consciência.
É isto mesmo que quer dizer Jesus que leva a Cruz, Ele que desde sempre "conhecia o interior de cada homem" (cf. Jo 2, 25) e sempre o conhece. Por isso, Ele deve permanecer sempre como a testemunha mais directa dos nossos actos e dos juízos que fazemos sobre eles na nossa consciência. Talvez nos faça compreender que estes juízos devem ser ponderados, razoáveis, objectivos - diz: "Não choreis" - mas, ao mesmo tempo, consequentes com tudo o que esta verdade contém: avisa-nos porque é Ele que leva a Cruz.
Peço-Vos, Senhor, que saiba viver e caminhar na verdade!

ACLAMAÇÕES
Senhor Jesus, sábio e misericordioso, Verdade que conduzis à vida.
R. Kyrie, eleison.

Senhor Jesus, cheio de compaixão, a vossa presença suaviza o pranto na hora da prova.
R. Kyrie, eleison.
 
Todos: Pai-nosso

Cantico: Tui Nati vulnerati,
tam dignati pro me pati,
poenas mecum divide.
   
V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Do livro das Lamentações 3, 27-32
É bom para o homem suportar o jugo desde a sua juventude. Que esteja solitário e silencioso, quando o Senhor o impuser sobre ele; que ponha sua boca no pó: talvez haja esperança! Que dê sua face a quem o fere e se sacie de opróbrios. Pois o Senhor não rejeita para sempre: se Ele aflige, Ele se compadece segundo a sua grande bondade.
  
MEDITAÇÃO
 "Humilhou-Se a Si mesmo, feito obediente até à morte e morte de cruz" (Flp 2, 8). Cada estação deste Caminho é uma pedra miliar desta obediência e deste aniquilamento.
A medida deste aniquilamento, vemo-la quando começamos a ouvir as palavras do profeta: "O Senhor carregou sobre Ele a iniquidade de todos nós...Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um seguia o seu caminho; o Senhor carregou sobre Ele a iniquidade de todos nós" (Is 53, 6).
A medida deste aniquilamento, calculamo-la quando vemos Jesus cair de novo, pela terceira vez, sob a Cruz. Medimo-la ao meditarmos quem é Aquele que cai, quem é Aquele que jaz no pó da estrada sob a Cruz, caído aos pés de gente hostil que não Lhe poupa humilhações e ultrajes...
Quem é Aquele que cai? Quem é Jesus Cristo? "Ele que era de condição divina, não reivindicou o direito de ser equiparado a Deus. Mas despojou-Se a Si mesmo tomando a condição de servo, tornando-Se semelhante aos homens. Tido pelo aspecto como homem, humilhou-Se a Si mesmo, feito obediente até à morte e morte de cruz" (Flp 2, 6-8).

ACLAMAÇÕES
Cristo Jesus, Vós provastes o amargor da terra para mudar o gemido da dor em cântico de júbilo.
R. Christe, eleison.

Cristo Jesus, que Vos humilhastes na carne para enobrecer toda a criação.
R. Christe, eleison.
 
 Todos: Pai-nosso

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Do evangelho segundo São Mateus 27, 33-36
Chegados a um lugar chamado Gólgota, quer dizer «Lugar do Crânio», deram-Lhe a beber vinho misturado com fel. Mas Jesus, quando o provou, não quis beber. Depois de O terem crucificado, repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, e ficaram ali sentados a guardá-Lo.

MEDITAÇÃO
 Quando vemos Jesus sobre o Gólgota, despojado dos seus vestidos (cf. Mc 15, 24; etc), o pensamento volta-se para sua Mãe: torna atrás, à origem deste corpo, que já agora, antes da crucifixão, é todo ele uma chaga viva (cf. Is 52, 14). O mistério da Encarnação: o Filho de Deus toma o seu corpo do seio da Virgem (cf. Mt 1, 23; Lc 1, 26-38). O Filho de Deus fala com o Pai, usando as palavras dum salmo: "Não quiseste sacrifício nem oblação, mas preparaste-Me um corpo" (Sal 40/39, 7; Heb 10, 5). O corpo do homem manifesta a sua alma. O corpo de Cristo exprime amor para com o Pai: "Então Eu disse: Eis que venho (...) para fazer, ó Deus, a tua vontade" (Sal 40/39, 9; Heb 10, 7). "Eu sempre faço o que é do agrado d'Ele" (Jo 8, 29). Este corpo despojado cumpre a vontade do Filho e a do Pai em cada chaga, cada guinada de dor, cada músculo dilacerado, cada fio de sangue que corre, o cansaço total dos braços, as pisaduras do pescoço e das costas, uma terrível dor nas têmporas. Este corpo cumpre a vontade do Pai, quando é despojado dos vestidos e tratado como objecto de suplício, quando encerra em si a dor imensa da humanidade profanada.
O corpo do homem é profanado de vários modos.
Nesta estação, devemos pensar na Mãe de Cristo, porque, junto do seu coração, nos seus olhos, entre as suas mãos, o corpo do Filho de Deus recebeu plena adoração.

ACLAMAÇÕES
Jesus, corpo sagrado, profanado ainda nos vossos membros vivos.
R. Kyrie, eleison.

Jesus, corpo entregue por amor, dividido ainda nos vossos membros.
R. Kyrie, eleison.
 
 Todos: Pai-nosso

Cântico: Fac ut ardeat cor meum
in amando Christum Deum,
ut sibi complaceam.

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Do evangelho segundo São Mateus 27, 37-42
Puseram por cima da cabeça d'Ele um letreiro escrito com a causa da condenação: "Este é Jesus, o Rei dos Judeus". Foram então crucificados com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda. Os que passavam dirigiam-Lhe insultos, abanavam a cabeça e diziam: "Tu que demolias o Templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz!" De igual modo, também os sumos sacerdotes troçavam, juntamente com os escribas e os anciãos, e diziam: "Salvou os outros e a Si mesmo não pode salvar-Se! É Rei de Israel! Desça agora da cruz, e acreditaremos n'Ele".

MEDITAÇÃO
 "Trespassaram as minhas mãos e os meus pés; posso contar todos os meus ossos" (Sal 22/21, 17-18). "Posso contar...": palavras verdadeiramente proféticas! É que este corpo é o preço dum resgate. Um grande resgate é todo este corpo: as mãos, os pés, e cada osso. Todo o Homem sujeito à máxima tensão: esqueleto, músculos, sistema nervoso, cada órgão, cada célula, tudo posto na máxima tensão. "Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim" (Jo 12, 32).
Eis as palavras que exprimem a plena realidade da crucifixão. Desta faz parte também esta tensão terrível que atravessa as mãos, os pés e todos os ossos: terrível tensão do corpo inteiro, que, pregado como um objecto às traves da Cruz, está para chegar ao estremo do aniquilamento nas convulsões da morte. E na realidade da crucifixão entra também todo o mundo que Jesus quer atrair a Si (cf. Jo 12, 32). O mundo fica sujeito à gravitação do corpo, que por inércia tende para baixo.
É precisamente nesta gravitação que está a paixão do Crucificado.
"Vós sois cá de baixo, Eu sou lá de cima" (Jo 8, 23). Eis as suas palavras da Cruz: "Perdoa-lhes, ó Pai, porque não sabem o que fazem" (Lc 23, 34).

ACLAMAÇÕES
Cristo, crucificado pelo ódio, pelo amor feito sinal de reconciliação e de paz.
R. Christe, eleison.

Cristo, com o sangue derramado na Cruz, resgatastes o homem, o mundo, o universo.
R. Christe, eleison.

  
Todos: Pai-Nosso

Cântico: Sancta Mater, istud agas,
Crucifixi fige plagas
cordi meo valide
.
  

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Do evangelho segundo São Mateus 27, 45-50.54
A partir do meio-dia, houve trevas em toda a região, até às três horas da tarde. E, pelas três horas da tarde, Jesus bradou com voz forte: "Eli, Eli, lemá sabachthani", quer dizer, "Meu Deus, Meu Deus, porque Me abandonaste?" Alguns dos presentes ouviram e disseram: «Está a chamar por Elias». E logo um deles correu a pegar numa esponja, ensopou-a em vinagre, pô-la numa cana e deu-Lhe a beber. Mas os outros disseram: «Deixa lá! Vejamos se Elias vem salvá-Lo». E Jesus, dando novamente um forte brado, expirou.
Entretanto, o centurião e os que estavam com ele de guarda a Jesus, ao verem o tremor de terra e o que estava a suceder, ficaram aterrados e disseram: «Ele era, na verdade, Filho de Deus».
   
MEDITAÇÃO
 Eis o agir mais alto, mais sublime do Filho em união com o Pai. Sim, em união, na mais profunda união... precisamente quando grita: "Eloì, Eloì, lema sabactàni?", "Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?" (Mc 15, 34; Mt 27, 46). Este agir exprime-se na verticalidade do corpo estendido ao longo da trave perpendicular da Cruz com a horizontalidade dos braços estendidos ao longo do madeiro transversal. A pessoa que olha estes braços pode pensar com quanto esforço eles abraçam o homem e o mundo.
Abraçam.
Eis o homem. Eis o próprio Deus. "N'Ele (...) vivemos, nos movemos e existimos" (Act 17, 28). N'Ele, nestes braços estendidos ao longo da trave horizontal da Cruz.
O mistério da Redenção.
Jesus, pregado na Cruz, imobilizado nesta terrível posição, invoca o Pai (cf. Mc 15, 34; Mt 27, 46; Lc 23, 46). Todas as suas invocações testemunham que Ele está unido com o Pai. "Eu e o Pai somos um" (Jo 10, 30); "Quem Me vê, vê o Pai" (Jo 14, 9); "Meu Pai trabalha continuamente e Eu também trabalho" (Jo 5, 17).

ACLAMAÇÕES
Filho de Deus, recordai-Vos de nós na hora suprema da morte.
R. Kyrie, eleison.

Filho do Pai, recordai-Vos de nós e com o vosso Espírito renovai a face da terra.
R. Kyrie, eleison.
 
 Todos: Pai-Nosso
  
Cântico:  Fac me vere tecum flere,
Crucifixo condolere,
donec ego vixero.


DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO - Jesus é descido da Cruz
V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Do evangelho segundo São Mateus 27, 54-55
O centurião e os que estavam com ele de guarda a Jesus, ao verem o tremor de terra e o que estava a suceder, ficaram aterrados e disseram: «Ele era, na verdade, Filho de Deus». Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres, que tinham seguido Jesus desde a Galileia, para O servirem.
  
MEDITAÇÃO
 Ao ver o corpo de Jesus ser tirado da Cruz e colocado nos braços de sua Mãe, diante dos nossos olhos repassa o momento em que Maria recebeu a saudação do anjo Gabriel: "Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. (..) O Senhor Deus dar-Lhe-á o trono de seu pai David (...) e o seu reinado não terá fim" (Lc 1, 31-33). Maria disse apenas: "Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1, 38), como se desde então tivesse querido exprimir o que está a viver agora.
No mistério da Redenção, entrelaçam-se a Graça, isto é, o dom do próprio Deus, e "o pagamento" do coração humano. Neste mistério, somos enriquecidos por um Dom do alto (cf. Tg 1, 17) e ao mesmo tempo comprados pelo resgate do Filho de Deus (cf. 1 Cor 6, 20; 7, 23; Act 20, 28). E Maria, tendo sido mais do que ninguém enriquecida de dons, paga mais também. Com o coração.
A este mistério está unida a promessa maravilhosa formulada por Simeão aquando da apresentação de Jesus no templo: "Uma espada trespassará a tua alma, a fim de se revelarem os pensamentos de muitos corações" (Lc 2, 35).
Também isto se cumpre. Quantos corações humanos se abrem diante do coração desta Mãe que pagou tanto!
E de novo Jesus está todo inteiro nos seus braços, como esteve no presépio de Belém (cf. Lc 2, 16), durante a fuga para o Egipto (cf. Mt 2, 14), em Nazaré (cf. Lc 2, 39-40). Senhora da Piedade.

ACLAMAÇÕES
Santa Maria, mãe de imensa piedade, convosco abrimos os braços à Vida e, suplicantes, imploramos:
R. Kyrie, eleison.

Santa Maria, mãe e companheira do Redentor, em comunhão convosco acolhemos Cristo e, cheios de esperança, invocamos:
R. Kyrie, eleison.
 
 
Todos: Pai - Nosso

Cântico:  Vidit suum dulcem Natum
morientem, desolatum,
cum emisit spiritum.

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Do evangelho segundo São Mateus 27, 59-61
José pegou no corpo de Jesus, envolveu-o num lençol limpo e depositou-o no seu túmulo novo, que tinha mandado escavar na rocha. Depois, rolou uma grande pedra para a porta do túmulo e retirou-se. Entretanto, estavam ali Maria de Magdala e a outra Maria, sentadas em frente do sepulcro.
  
MEDITAÇÃO
 Desde que o homem, por causa do pecado, foi afastado da árvore da vida (cf. Gn 3, 23-24), a terra tornou-se um cemitério. Há tantos homens como sepulcros. Um grande planeta de túmulos.
Nas proximidades do Calvário, havia um túmulo que pertencia a José de Arimateia (cf. Mt 27, 60). Neste túmulo, com o consentimento de José, colocou-se o corpo de Jesus depois de descido da Cruz (cf. Mc 15, 42-46; etc.). Depositaram-no à pressa, de modo que a cerimónia terminasse antes da festa da Páscoa (cf. Jo 19, 31), que começava ao pôr do sol.
Dentre todos os túmulos espalhados pelos continentes do nosso planeta, há um onde o Filho de Deus, o homem Jesus Cristo, venceu a morte com a morte. "O mors! Ero mors tua!", "Ó morte, Eu serei a tua morte" (1ª antífona das Laudes de Sábado Santo)". A árvore da Vida, da qual o homem foi afastado por causa do pecado, revelou-se novamente aos homens no corpo de Cristo. "Se alguém comer deste pão viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a minha carne pela vida do mundo" (Jo 6, 51).
Embora o nosso planeta esteja sempre a repovoar-se de túmulos, embora cresça o cemitério no qual o homem volta ao pó donde tinha sido tirado (cf. Gn 3, 19), todavia todos os homens que olham para o túmulo de Jesus Cristo vivem na esperança da Ressurreição.
ACLAMAÇÕES
Jesus Senhor, nossa ressurreição,
no sepulcro novo destruís a morte e dais a vida.
R. Kyrie, eleison.
Jesus Senhor, nossa esperança,
o vosso corpo crucificado e ressuscitado é a nova árvore da vida.
R. Kyrie, eleison.
  Todos: Pai-Nosso
 
Cântico: Quando corpus morietur fac ut animae donetur paradisi gloria. Amen.
  
BÊNÇÃO Apostólica

V/. Dominus vobiscum.
R/. Et cum spiritu tuo.
V/. Sit nomen Domini benedictum.
R/. Ex hoc nunc et usque in sæculum.
V/. Adiutorium nostrum in nomine Domini.
R/. Qui fecit cælum et terram.
V/. Benedicat vos omnipotens Deus,
Pater  et Filius  et Spiritus Sanctus.
R/. Amen.
  
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