sexta-feira, 29 de março de 2013

Via Sacra – segundo São Lucas

ORAÇÃO INICIAL 
Cristo Senhor, único Salvador do mundo, Verdade do Deus Santo,
somos, por graça do teu Espírito,
teus contemporâneos:
a tua paixão, a tua morte e sepultura,
a tua descida vitoriosa ao território da morte,
desenrola-se na nossa presença,
desenvolve-se dentro de cada um de nós.
No teu grito de Filho do Homem abandonado,
prolonga-se o grito das infinitas cruzes
dos homens e das mulheres de todos os tempos.
O túmulo escavado na rocha é este mundo sobre o qual a morte depositou o seu sigilo.
Somos parte do grupo dos homens que sofre sobre a terra,
famintos do pão da esperança,
do evangelho da vida.
Como os Apóstolos no Cenáculo,
e os caminheiros de Emaús,
pedimos-te que repartas, de novo, para nós,
o pão da tua Palavra,
e suscites o ardor do amor em nossos corações,
para que percorrendo
o caminho luminoso da tua cruz,
possamos saborear com o olhar límpido da fé,
a vitória da alegria sobre a angústia,
do amor sobre o ódio, da vida sobre a morte!

Primeira Estação - Jesus no Monte das Oliveiras

V Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
R. Que pela tua Santa Cruz salvaste o mundo. 


Narrador: Como de costume, Jesus foi para o Monte das Oliveiras. Os discípulos seguiram também com Ele. Quando chegou ao local, disse-lhes:
Jesus: «Orai, para que não entreis em tentação.»
Narrador: Afastando-se deles, ainda um pouco, pondo-se de joelhos, começou a orar, dizendo:
Jesus: «Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua.»

MEDITAÇÃO

Cristo, Fonte de sabedoria, inquieta-nos o teu gesto firme de alargares os braços  para unires os dois extremos dos nossos abismos do desespero e da esperança, quando prostrado por terra, na hora da tentação e do «cálice amargo» te entregas, sem reservas, ao Pai. Impressiona-nos o teu despojamento total, a confiança serena da tua prece.
Reafirmas de novo para nós: «O meu alimento, é fazer a vontade daquele que me enviou, e consumar a sua obra.»
Nas dificuldades da nossa vida, dá-nos, Senhor, a sabedoria da Fé e encoraja o nosso abandono nos braços do Pai.

(Breve pausa de silêncio)

Todos: Pai Nosso…. 
Cântico

Segunda Estação - Jesus, entregue por Judas, é preso

V Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
R Que pela tua Santa Cruz salvaste o mundo. 


Jesus: Porque dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação.
Narrador: Ainda Jesus estava a falar quando surgiu uma multidão de gente. Um dos doze, o chamado Judas, caminhava à frente e aproximou-se de Jesus para o beijar. Jesus disse-lhe: Jesus: «Judas, é com um beijo que entregas o Filho do Homem?» 

MEDITAÇÃO
Cristo, Mestre da vida, amassado de mágoa e de silêncio, a tua voz penetra a escuridão do nosso sono.
Era noite quando Judas te abandonou. Na noite, imergiu prisioneiro de si mesmo.
Foi de noite, entre uma multidão de gente que te cercava com espadas e varapaus, que recebeste o beijo do engano, a surpresa da traição.
É a noite do Filho do Homem, do domínio das trevas. Nessa noite se revelou em ti, o desígnio supremo do amor de Deus, porque «forte como a morte é o amor, implacável como o abismo é a paixão».
Doando-te com infinito amor, aniquilas a tentação, vences o mal.
Ajuda-nos, Senhor, a ser livres, quando entregares à desordem dos desejosos e à mentira nos perdemos e te negamos.

(Breve pausa de silêncio)

Todos: Pai-Nosso

Cântico

Terceira Estação - Jesus é Negado por Pedro

V Nós te adoramos e bendizemos; ó Jesus.
R Que pela tua Santa Cruz salvaste o mundo. 


Narrador: Pedro seguia Jesus, de longe. Uma das criadas do Sumo Sacerdote, ao vê-lo sentado ao lume, no meio do pátio, fitando-o, disse: «Este também estava com Ele.» Pedro negou-o, dizendo: «Não o conheço, mulher.» Pouco depois, disse outro ao vê-lo: «Tu também és dos tais.» Pedro disse: «Homem, não sou.» Cerca de uma hora mais tarde, um outro afirmou com insistência: «Com certeza este estava com Ele; além disso é Galileu.» Pedro respondeu: «Homem, não sei o que dizes.» E, no mesmo instante, estando ele ainda a falar, cantou um galo. O Senhor fixou os olhos em Pedro; e Pedro recordou-se da palavra do Senhor, quando lhe disse: «Hoje, antes de o galo cantar, irás negar-me três vezes.» E, vindo para fora, chorou amargamente.
 
MEDITAÇÃO

Cristo, Luz da luz, diante da violência e do poder prepotente permaneces só, negado pela lonjura do coração dos teus discípulos e irmãos.
Também Pedro, a pedra que escolheste para edificar a tua Igreja, não sabe dizer o seu amor, dominado pela confusão do seu espírito.
Na hora do medo e da fragilidade, o rosto do pescador inunda-se de lágrimas.
Vemo-lo chorar amargamente a sua incapacidade de compreender o mistério da tua entrega.
Agora, a tua Palavra se faz luz, quando nos fitas com o teu olhar penetrante,  E nos dizes: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me pois, quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la; mas, quem perder a sua vida por minha causa há-de salvá-la.”
Visita-nos, Senhor, com o esplendor da tua luz e dissipa as trevas do nosso coração.Para sabermos viver no fiel cumprimento da tua vontade.

(Breve pausa de silêncio) 

Pai-Nosso 

Cântico

Quarta Estação - Jesus é Condenado pelo Sinédrio

V Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T Que pela tua Santa Cruz salvaste o mundo. 


Narrador: Quando amanheceu, reuniu-se o Conselho dos anciãos do povo, sumos sacerdotes e doutores da Lei, que o levaram ao seu tribunal. Disseram-lhe: «Declara-nos se Tu és o Messias.» Jesus respondeu-lhes:
Jesus: «Se vo-lo disser, não me acreditareis e, se vos perguntar, não respondereis. Mas doravante, o Filho do Homem vai sentar-se à direita de Deus Todo-Poderoso.
Narrador: Disseram indignados os que o escutavam: «Tu és, então, o Filho de Deus?» Jesus respondeu-lhes»:
Jesus: «Vós o dizeis, Eu sou.» 

MEDITAÇÃO

Cristo, Filho de Deus, os caminhos sinuosos da terra, as razões duvidosas pelas quais se tece a vida silenciam o testemunho verdadeiro da tua Pessoa.
O teu encontro com o Sinédrio, tribunal religioso Judaico, clarifica a vã justiça deste mundo, as injustas opiniões da nossa «praça pública».
Inventam-se condenados na argumentação oca das leis. Prescrevem-se direitos, na falsidade e na injustiça.
Fortalece, Senhor, todos os obreiros da Verdade e dá resistência aos injustamente condenados, aos humildes e mais débeis do nosso tempo.

(Breve pausa de silêncio)

Todos: Pai Nosso…

Cântico

Quinta Estação - Jesus e Herodes

V. Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T. Que pela tua Santa Cruz salvaste o mundo. 

Narrador: Ao ver Jesus, Herodes ficou extremamente satisfeito, pois havia bastante tempo que o queria ver, devido ao que ouvia dizer dele, esperando que fizesse algum milagre na sua presença. Fez-lhe muitas perguntas, mas Jesus nada respondeu. Herodes, com os seus oficiais, tratou-o com desprezo e, por troça, mandou-o cobrir com uma capa vistosa, enviando-o de novo a Pilatos. Nesse dia, Herodes e Pilatos ficaram amigos, pois eram inimigos um do outro.

MEDITAÇÃO

Cristo, Verdadeira liberdade, a cínica sabedoria de Herodes não destrói a solidez da tua palavra silenciosa, nem faz vacilar a tua espantosa firmeza.
Perturba-o a serenidade frontal do teu rosto, a inocência de todos os teus gestos.
O poder é muitas vezes um labirinto. Perdido na força da sua razão, como conseguiria Herodes compreender a razão do teu amor?
E Tu estavas no mundo, não para condenar, mas para salvar, não para aprisionar, mas para libertar.
A desumanidade das nossas estruturas, a crueldade dos nossos actos, o desprezo pela dignidade de cada homem, são o pecado de Herodes, em cada um de nós. Preserva os nossos passos de todo o pecado, e refaz em nós a inocência perdida.

(Breve pausa de silêncio)

Todos: Pai Nosso

Cântico

Sexta Estação - Jesus é Julgado por Pilatos

V Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
R Que pela tua Santa Cruz salvaste o mundo. 


Narrador: Os príncipes dos sacerdotes, diante de Pilatos, acusavam Jesus de muitas coisas. Pilatos interrogou-o: «Tu és o rei dos Judeus?» Jesus respondeu-lhe:
Jesus: «Tu o dizes.»
Narrador: Pilatos disse aos sumos sacerdotes, aos chefes do povo e à multidão: «Trouxestes este homem à minha presença como se andasse a revoltar o povo. Interroguei-o diante de vós e não encontrei nele nenhum dos crimes de que o acusais.» Todos se puseram a gritar: «Crucifica-o, crucifica-o.» Como insistissem, pedindo para que Jesus fosse crucificado e os seus clamores aumentassem de violência, Pilatos decidiu que se fizesse o que eles pediam e entregou-lhes Jesus.

MEDITAÇÃO

Cristo, Verdade de Deus, foi dramático o teu encontro com Pilatos. Diante da inveja dos sacerdotes, da hostilidade dos chefes e governantes, da multidão histérica e manipulada, Pilatos é um homem de débeis vontades e certezas, iludido pelas amarras dos falsos valores.
Vemo-lo flutuante, demitido das suas responsabilidades pelo imperioso desejo de salvar-se a si mesmo. Quão atroz é o juízo dos dominadores, dos escravos pelos compromisso político, dos que prevalecem na luta dos interesses e negam a Verdade.
Arranca, Senhor, o nosso coração de pedra, para que, diante de qualquer condicionamento humano, sejamos livres da tua liberdade.

(Breve pausa de silêncio)

Todos: Pai Nosso…
Cântico

Sétima Estação - Jesus e Barrabás

V Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T Que pela tua Santa Cruz salvaste o mundo.

Narrador: Em cada festa, Pilatos era obrigado a soltar-lhes um preso. Todos se puseram a gritar: «A esse mata-o e solta-nos Barrabás!» Este fora metido na prisão por causa de uma insurreição desencadeada na cidade, e por homicídio. De novo, Pilatos dirigiu-lhes a palavra, querendo libertar Jesus. Mas eles gritavam: «Crucifica-o, crucifica-o!» Pilatos disse-lhes pela terceira vez: «Que mal fez Ele? Nada encontrei nele que mereça a morte.» Mas devido à insistência e violência da multidão, Pilatos decidiu que se fizesse o que pediam e libertou o que fora preso por sedução e homicídio.

MEDITAÇÃO

Cristo, «Filho do Homem», a multidão que te havia aclamado jubilosa na tua entrada em Jerusalém, agora, incitada pela manobra dos amotinadores, grita, alucinada, pela tua morte.
Ousa libertar um condenado de nome Barrabás, que quer dizer «Filho do Pai», para apagar da sua história
o Filho verdadeiro do Deus Santo.
Ritual de crueldade celebrado ao longo da nossa história no comportamento de tantos homens e mulheres
que se deixam submergir pela intriga, pela voz dos malfeitores públicos pela cobiça da vã glória.
Liberta, Senhor, o teu povo da maldade das intenções e das atitudes e fá-lo permanecer e vencer no bem.

(breve pausa de silêncio)

Todos: Pai Nosso…
Cântico

Oitava Estação - Jesus e Simão de Cirene

V Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T Que pela tua Santa Cruz salvaste o mundo.

Narrador: Quando iam conduzindo Jesus para o Calvário, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e carregaram-no com a cruz, para a levar atrás de Jesus.

MEDITAÇÃO

Cristo, Benevolência de Deus, silenciosamente, no drama da tua paixão, nos improvisos da tua caminhada,
a doçura de um encontro.
Um estrangeiro toma a tua cruz, imposta pela violência do poder: Simão de Cirene. Não foi teu discípulo, mas com ele partilhaste o teu sofrimento.
Não fez parte do teu grupo de amigos, mas a ele revelaste a dignidade de quem serve.
Não aprendeu na escola do teu apostolado, mas fazendo-se teu companheiro de jornada, vencido o medo de caminhar contigo, o condenado, tornaste-o comparticipante da tua missão salvífica.
São tantos, Senhor, os Cireneus do nosso tempo!
Homens e mulheres, que superando o seu egoísmo em laivos de disponibilidade generosa não cessam de alimentar, vestir e acolher os forasteiros e pobres deste mundo.
Bendito sejas, Senhor, pelos sinais de consolação que na peregrinação desta vida. Tornam mais leve o fardo da cruz.

(Breve pausa de silêncio)

Todos: Pai-Nosso
Cântico

Nona Estação - Jesus e as Mulheres de Jerusalém

V Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T Que pela tua Santa Cruz salvaste o mundo.

Narrador: Seguiam Jesus uma grande multidão de povo e umas mulheres que batiam no peito e se lamentavam por Ele. Jesus voltou-se para elas e disse-lhes:
Jesus: «Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos; pois virão dias em que se dirá: "Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram." Hão-de, então, dizer aos montes: "Caí sobre nós!" E às colinas: "Cobri-nos!" Porque, se tratam assim a árvore verde, o que não acontecerá à seca?»

MEDITAÇÃO

Cristo, consolador dos aflitos, as filhas de Jerusalém choram por ti, porque a tua cidade amada não conheceu o «caminho da paz».
Lamentam-se diante da tua sorte, e abandonam-se no pranto, na singela e verdadeira pureza dos sentimentos humanos.
Como é sublime no martírio do teu caminho, a presença atenta e consoladora dessas piedosas mulheres, que na inocência do seu coração, elevam para ti a alma e o afecto, sem temerem a fúria da multidão que ridiculariza o teu tormento e a tua entrega!
E Tu és o lenho verde que se deixa queimar, por amor. A tua morte será nascente de vida, para que o lenho seco todos os filhos de mulher refloresça viçoso das lágrimas do arrependimento.
Não permitas, Senhor, que caíamos na arrogância do coração, na presunção da auto-suficiência
Mas concede-nos um coração recto, compassivo diante das misérias humanas.

(Breve pausa de silêncio)

Todos: Pai-Nosso…
Cântico

Décima Estação - Jesus é Crucificado

V Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
R Que pela tua Santa Cruz salvaste o mundo.

Narrador: Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-no a Ele e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. Jesus dizia:
Jesus: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem.»
Narrador: Depois, deitaram sortes para dividirem entre si as suas vestes. O povo permanecia ali, a observar. Os chefes zombavam dele dizendo: «Salvou os outros, salve-se a si mesmo, se é o Messias de Deus, o eleito.» Também os soldados troçavam dele: «Se és o rei dos Judeus, salva-te a ti mesmo.»

MEDITAÇÃO

Cristo, Misericórdia infinita, o teu corpo, suspenso entre a terra e o céu, crucificado, torna-se o sinal das profecias antigas, epifania da tua própria palavra: o servo cresceu diante do Senhor, como um rebento, como raiz em terra árida, sem figura nem beleza. Quando for erguido da terra, atrairei todos a mim.
Na tua cruz, onde é provada a verdade do amor, mediante a verdade do sofrimento, a que não te recusas, podemos compreender o valor da tua entrega, loucura para a razão humana e escândalo para a fé.
Na tua cruz, expressão aparente de derrota humana, podemos reconhecer começo da nossa redenção.
A sombra da tua cruz, em que permaneces de braços estendidos para acolher e de mãos abertas para dar, permite que te reconheçamos como Filho de Deus e possamos proclamar-te nosso Salvador e Redentor.
Diante da tua cruz, fonte da qual brotam rios de água viva, pedimos-te a uma voz: Renova a vida da tua Igreja, torna fecunda a sua missão.
Faz dela semente da esperança do reino que vem, ícone da nova civilização do amor.

(Breve pausa de silêncio)

Todos: PAI NOSSO...
Cântico

Décima Primeira Estação - Jesus Morre na Cruz

V Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T Que pela tua Santa Cruz salvaste o mundo.

Narrador: Por volta do meio-dia, as trevas cobriram toda a região até às três horas da tarde.
O sol tinha-se eclipsado e o véu do Templo rasgou-se ao meio. Dando um forte grito, Jesus exclamou:
Jesus: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.
Narrador: Dito isto, expirou.

MEDITAÇÃO

Cristo, Senhor da Vida e da Morte, o teu grito de moribundo lacera a espessura das trevas do tempo, comove-nos.
Rejeitado pela terra entregas-te em absoluto abandono nos braços do Pai silencioso.
Vibra em nós o teu grito, Senhor, expressão da nossa humanidade sofredora.
Mas a tua última súplica desvela já para nós o limiar radioso do eterno reino dos viventes.
A tua prece final torna-se o grito de esperança pelo nascimento da nova criação do Homem-novo.
Pela tua Paixão e morte, perdoa o nosso pecado. Renova, pelo teu espírito, a face da terra!

(Breve pausa de silêncio)

Todos: Pai Nosso
Cântico

Décima Segunda Estação - Jesus e o Centurião

V Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T Que pela tua Santa Cruz salvaste o mundo.

Narrador: Ao ver o que se passava, o Centurião deu glória a Deus, dizendo: «Verdadeiramente, este homem era justo!» E toda a multidão que se tinha aglomerado para este espectáculo, vendo o que aconteceu, regressava batendo no peito.

MEDITAÇÃO

Cristo, Justiça de Deus, tudo foi consumado em ti sobre a colina do sacrifício, no espectáculo da tua paixão. Aí o amor vence a palavra a vida destrói as cadeias da morte.
Aí, do íntimo do coração dum homem pagão, ouvimos proclamar a fé em ti.
Homem bem-aventurado, o Centurião, que sem preconceitos e ilusórias defesas, como inesperada testemunha, atesta, solenemente:
Tu és o justo! O Homem verdadeiro, o verdadeiro Filho de Deus!
A tua cruz tornou-se, assim, aliança dum povo novo; teu sangue derramado, a Boa Nova para o mundo inteiro.
De coração contrito, elevamos ao céu a nossa prece: concede-nos, Senhor, pela prontidão e firmeza da fé que sejamos audazes testemunhas do teu reino, quando a dúvida e o medo vêm morar em nós e se tornam vastos os horizontes da morte.

(Breve pausa de silêncio)

Todos: Pai Nosso…
Cântico

Décima Terceira Estação - Jesus e os Conhecidos Junto à Cruz

V Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T Que pela tua Santa Cruz salvaste o mundo.

Narrador: Todos os seus conhecidos e as mulheres que o tinham acompanhado desde a Galileia mantinham-se à distância, observando estas coisas.

MEDITAÇÃO

Cristo, Fonte de alegria e salvação, a presença dos teus conhecidos, das mulheres que te acompanham até ao fim sem medo do teu calvário sem vergonha pela tua entrega rebenta o nosso coração de comoção e de respeito.
Conforta-nos tanto ver essa humanidade materna a começar pela presença de Maria, tua mãe, junto de ti, silenciosa, de pé.
Maria, parábola da terra redimida, que acolhe sobre o seu regaço o Redentor do mundo. Maria, o canto das criaturas, que em humildade permanente acolhe com gratidão a benção do céu nas fadigas infinitamente dolorosas das estradas humanas.
Maria, Senhora dos viventes e dos homens feridos, pietá do irmão extraviado e dos filhos mortos!
Acolhe-nos em teu regaço materno e reza connosco e ora por nós a teu Filho: Infunde, Senhor, nos áridos desertos do nosso coração, uma piedade pura, imensa e diligente, nutrida de verdadeira caridade.

(Breve pausa de silêncio)

Todos: Pai Nosso…
Cântico

Décima Quarta Estação - Jesus é Sepultado

V Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T Que pela tua Santa Cruz salvaste o mundo.

Narrador: Um membro do Conselho, chamado José, homem recto e justo, não tinha concordado com a decisão nem com o procedimento dos outros. Era natural de Arimateia, cidade da Judeia, e esperava o reino de Deus. Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Descendo-o da cruz, envolveu-o num lençol e depositou-o num sepulcro talhado na rocha, onde ainda ninguém tinha sido sepultado.

MEDITAÇÃO

Cristo, único Salvador do mundo, o sábado do grande repouso acolhe o teu corpo deposto no sepulcro novo. Tudo é silencioso.
O céu permanece na escuridão, impenetrável. Depois do último grito, o coração da noite, a hora das trevas.
No nosso íntimo adormecido, ecoa a meia-voz a tua palavra a segredar-nos o rumo: se o grão de trigo lançado à terra não morrer, ficará só; mas, se morrer, dá muito fruto.
Dizer a vida no corpo de semente parece-nos ilusão, certeza vã. Mas é aí, Senhor, nas profundidades da terra, na alvorada do dia sem declínio que Tu ressurges luminoso e vivo para sempre!
És o Vivente, o sol sem ocaso, o primogénito de todos os ressuscitados que venceu o reino das sombras e dos túmulos!
Silencia o medo dos nossos corações e dá-nos a vida sem fim!

(Breve pausa de silêncio)
Todos: Pai-Nosso

Cântico

Décima Quinta Estação - Jesus e os Discípulos de Emaús

V Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T Que pela tua Santa Cruz salvaste o mundo.

Narrador: Nesse mesmo dia, dois dos discípulos iam a caminho de uma aldeia chamada Emaús. Conversavam entre si sobre tudo o que acontecera. Enquanto conversavam e discutiam, aproximou-se deles o próprio Jesus e ' pôs-se com eles a caminho. Disse-lhe Ele:
Jesus: «Que palavras são essas que trocais entre vós, enquanto caminhais?»
Narrador: Os dois discípulos pararam entristecidos. Depois de lhe terem explicado o sucedido, e porque os seus olhos ainda estavam impedidos de o reconhecer, Jesus disse-lhes:
Jesus: «Ó homens sem inteligência e lentos de espírito para crer em tudo quanto os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer essas coisas para entrar na sua glória?»
Narrador: Começando por Moisés e seguindo por todos os profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras, tudo o que lhe dizia respeito. Ao chegarem perto da aldeia, os dois discípulos insistiram para que permanecesse com eles. Quando estavam à mesa, Jesus tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lhe. Então os seus olhos abriram-se e reconheceram-no. Imediatamente partiram para Jerusalém a anunciar o acontecido.

MEDITAÇÃO

Cristo, Alimento de Vida Nova, disseram-nos, Senhor, que estavas morto, que o sofrimento emudecera a tua palavra; a terra vira, suspenso na cruz, teu corpo inerte, que a pedra do túmulo te silenciara.
E nas estradas da nossa tristeza e desilusão, ressurges como companheiro de viagem rasgando aos nossos passos os caminhos da alegria e da paz.
Nas encruzilhadas da nossa história, seladas pelos horizontes do medo, o Dom do teu corpo e sangue partilhados; no pão da nossa mesa posta, faz germinar a vida e a esperança.
O Mistério da tua Páscoa, o teu terceiro Dia, inunda o íntimo do nosso mundo, como um fogo, e purifica, renova, acende dentro de nós, a verdade da Fé e a certeza do Amor. É preciso proclamar ao Universo:
o Filho do Homem não está morto, ressuscitou! Vive para sempre!
Permanece connosco!
Ao partirmos o pão em tua memória, faz que nos tornemos o gérmen da humanidade renovada para louvor e glória de Deus Pai.

(Breve pausa de silêncio)

Todos: PAI NOSSO...
Cântico

Oração - No caminho Luminoso da Cruz

DEUS SANTO!

Pai fiel, Senhor da História, meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?
Porque permaneces silencioso e imperscrutável enquanto as trevas incendeiam a tarde?
Vence-me o cansaço e o medo.
Aproxima-se a hora.
O sofrimento devora todo o meu corpo.
O madeiro da cruz aprisiona-me as mãos e os pés.
Desarticulam-se todos os meus ossos.
Possuído pela dor, sinto rasgar-se a carne, desvanecem-me as forças, lava-me o sangue.
Eis-me, Senhor da História,humilhado, ferido, esmagado,suspenso entre a terra e o céu, crucificado, desprezado e abandonado pelos homens como um rebento, como raiz em terra árida sem figura nem beleza, desconsiderado.
Pai, sei que tudo te é compreensível, mas quanto está longe de ti a angústia que me oprime.
Gerado de ti, desde toda a eternidade deste-me existência no tempo e vim ao mundo.
Sou Verbo da tua Palavra criadora e luz verdadeira.
Mas o mundo, não me reconheceu!
Vim, como Caminho, para conduzir todos a ti, como Verdade que liberta, para realizar a tua salvação, e Vida que enche de alegria, para manifestar o teu Amor.
Vim ao encontro dos pobres e atribulados, desvelar o teu rosto e revelar a tua Aliança,derramar sobre todas as suas feridas o óleo da consolação e o vinho da esperança.
Mas o coração dos homens não me recebeu!
Pai, sempre fiel, responde-me Tu.
Como um cordeiro que se imola no altar do sacrifício entrego-me a ti e para ti elevo a minha prece:
purifica todo o pecado deste mundo!
Deus Santo, meu alimento é fazer a tua vontade.
Despojado de mim, na inteireza da minha liberdade, entreguei-me, por amor, diante dos homens.
Mas agora, eles acusam-me como um malfeitor, julgam-me e condenam-me como injusto, renegam-me e dão-me a morte.
«Agora a minha alma está perturbada e que hei-de dizer? Pai, livra-me desta hora?
Mas precisamente para esta hora é que Eu vim.
Pai, manifesta em mim a tua glória.»


DEUS FORTE!

Verdadeiramente justo, Senhor de Misericórdia, tenho sede! É necessário cumprir a tua obra!
Tu a manifestaste com teu braço forte na alvura do tempo quando na noite da História falaste aos Santos Patriarcas.
Anunciaram-na os teus Profetas, esperou-a, perseverante, a Virgem Mulher, a Cheia de Graça.
Proclamou-a já presente no mundo o meu precursor, teu servo.
Sempre a sustiveste em teu regaço benevolente.
Mostra, agora, nela, a tua força! Tem piedade de mim, Senhor!
Zombam de mim, da minha miséria e sofrimento.
Não vês?
Dividem as minhas vestes e tiram-nas à sorte, dão-me de beber fel e vinagre. Porque silencias?
Pai, verdadeiramente justo,sempre manifestei a tua glória,
Glória que Tu me deste, quando estava contigo.
Tomei-a conhecida aos que, do meio do mundo, me entregaste.
Agora, peço-te, escuta o teu filho.
Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade!
Rogo pelos homens, por aqueles que me confiaste e que são teus.
Guarda-os em ti, para que sejam um só, como nós somos.
E assim permaneçam em nós e o mundo creia que me enviaste.
Derrama o teu amor sobre os seus corações,para que vivam no amor e tenham em si a plenitude da minha alegria.
Eu amei-os a todos!
Amei os homens que me deste!
Mas quantos compreenderam o meu amor?
Senhor de Misericórdia, livra-os da tentação e do mal!
No fim do meu caminho, entrego-te este mundo, Senhor, que tu conheces e ao qual me enviaste como aliança da paz e dom da reconciliação.
Confio-te o mundo da fome e da miséria, da guerra e da violência, do egoísmo e vã felicidade, da usura e da indiferença.
O mundo da mentira e da exploração,da injustiça e da intolerância.
Sobre este mundo que se agiganta e se perde e vive alucinado por quimeras de salvação faz repousar
o teu Espírito de sabedoria e de consolação.
É este mundo, que me eleva crucificado no alto da colina de todos os prantos, que confio a ti, no fardo da minha cruz.


DEUS IMORTAL!

Luz da luz, Senhor dos Viventes, nas tuas mãos entrego o meu espírito!
Manifesta-o, agora, ao mundo inteiro, Senhor, para que os pobres possuam o teu reino, sejam saciados os sedentos e famintos, e se alegrem na esperança os que sofrem.
Sim, Pai, acolhe o meu último desejo de amor:
abre os olhos aos cegos, liberta os cativos, dá paz aos oprimidos, proclama o teu Dia sem fim.
Desça do alto a tua Verdade e repouse aqui, onde a fonte e todas as sedes coincidem.
Como pedra rejeitada na construção, pela fúria dos que ousam tirar-me a vida, experimento, exausto, o meu limite.
Olha para mim e responde-me, Senhor, ilumina os meus olhos para que não adormeça na morte e se alegre o inimigo ao julgar-me vencido.
A minha alma suspira por ti, ó Deus!
Porque estou triste? Porque me perturbo?
Pai, Luz da luz, a minha alma espera por ti
seja santificado o teu Nome!
Venha sobre mim a tua bondade.
Senhor dos Viventes, rochedo donde dimana a vida, sinto desprender-se o meu corpo da terra,
enquanto um vento tumultuoso a estremece e rasga.
Conduz-me às tuas águas refrescantes, ao Reino da tua Luz anunciada, e dá-me a vida sem ocaso.
Tudo está consumado! Dá a vida ao mundo, para que pelo teu Espírito a humanidade inteira proclame o teu louvor a tua glória!

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