quarta-feira, 6 de março de 2013

CELEBRAÇÃO PENITENCIAL


A PENITÊNCIA PARA FORTALECER OU RESTAURAR A GRAÇA DO BAPTISMO

I. RITOS INICIAIS
 
Cântico de Entrada

Saudação
P- Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Todos: Ámen.
P- A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
Todos: Bendito seja Deus, que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração
P- Irmãos: Uma relação muito particular liga o Batismo, com a Quaresma! A Quaresma é, para alguns catecúmenos, o tempo final da sua preparação próxima, para o Batismo, Crisma e Eucaristia, na noite de Páscoa. Para nós, que já somos batizados, a Quaresma é um tempo destinado à redescoberta do Batismo! Vivemo-la, sobretudo, como “um momento favorável, para experimentar a Graça que salva(Bento XVI, Mensagem para a Quaresma 2011,1), particularmente, através do Sacramento da Penitência ou Reconciliação, que é, para nós, como que uma «segunda tábua de salvação depois do Batismo» (Prefácio da Quaresma VI). Assim, a nós, que fomos regenerados pelas águas do batismo, é-nos concedida a graça de voltarmos à beleza e à riqueza do batismo e ao banquete do amor, pelas lágrimas da conversão. Neste sentido, “o caminho de conversão, rumo à Páscoa, leva-nos a redescobrir o nosso Batismo. Renovemos nesta Quaresma o acolhimento da Graça, que Deus nos concedeu naquele momento, para que ilumine e guie todas as nossas ações” (Bento XVI, Mensagem para a Quaresma 2011,3). Oremos, para que, pela penitência, voltem de novo à graça do Batismo, os que por seus pecados a esqueceram.

Ajoelhai-vos (ou: Inclinai-vos diante de Deus)
E todos oram em silêncio durante alguns momentos.
Levantai-vos!

P- Guardai, Senhor, com a vossa infinita bondade, aqueles que lavastes nas águas do Batismo, para que se alegrem com a vossa ressurreição, os que foram remidos pela vossa paixão salvadora. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.
Todos: Ámen.

II. CELEBRAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

Leitura da Primeira Epístola de São João

Meus filhos:
Esta é a mensagem que ouvimos de Jesus Cristo
e vos anunciamos:
Deus é Luz, e n’Ele não há trevas.

Se dissermos que não temos pecados,
enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós.

Se confessamos os nossos pecados,
Ele é fiel e justo para nos perdoar os nossos pecados
e nos purificar de toda a maldade.

Se dissermos que não pecámos,
fazemos d’Ele um mentiroso,
e a sua palavra não está em nós.

Meus filhos,
escrevo-vos isto, para que não pequeis.

Mas se alguém pecar,
nós temos Jesus Cristo, o Justo,
como advogado junto do Pai.

Palavra do Senhor.
Todos: Graças a Deus!

Salmo Responsorial 50 (51):
Refrão: Pecámos, Senhor, tende piedade de nós.
 
Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,
pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.
Lavai-me de toda a iniquidade
e purificai-me de todas as faltas.

Porque eu reconheço os meus pecados
e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.
Pequei contra Vós, só contra Vós,
e fiz o mal diante dos vossos olhos.

Criai em mim, ó Deus, um coração puro
e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.
Não queirais repelir-me da vossa presença
e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação
e sustentai-me com espírito generoso.
Abri, Senhor, os meus lábios,
e a minha boca cantará o vosso louvor!

Cântico da Aclamação antes do Evangelho: Louvor a Vós (ou outro)…

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

No decorrer da ceia,
tendo já o Demónio metido no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão,
a ideia de O entregar,
Jesus levantou-Se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha, que pôs à cintura.
Depois, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos
e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura.
Quando chegou a Simão Pedro, este disse-Lhe:
«Senhor, Tu vais lavar-me os pés?».
Jesus respondeu:
«O que estou a fazer, não o podes entender agora,
mas compreendê-lo-ás mais tarde».
Pedro insistiu:
«Nunca consentirei que me laves os pés».
Jesus respondeu-lhe:
«Se não tos lavar, não terás parte comigo».
Simão Pedro replicou:
«Senhor, então não somente os pés,
mas também as mãos e a cabeça».
Jesus respondeu-lhe:
«Aquele que já tomou banho está limpo
e não precisa de lavar senão os pés.
Vós estais limpos, mas não todos».
Jesus bem sabia quem O havia de entregar.
Foi por isso que acrescentou: «Nem todos estais limpos».
Depois de lhes lavar os pés,
Jesus tomou o manto e pôs-Se de novo à mesa.
Então disse-lhes:
«Compreendeis o que vos fiz?
Vós chamais-Me Mestre e Senhor,
e dizeis bem, porque o sou.
Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés,
também vós deveis lavar os pés uns aos outros.
Dei-vos o exemplo,
para que, assim como Eu fiz, vós façais também».
Palavra da salvação.
Todos: Glória a Vós, Senhor!

Homilia – Reflexão

«Aquele que já tomou banho está limpo
e não precisa de lavar senão os pés, pois todo ele está puro!»
(Jo.13,10)

Que significa isto? Neste contexto, o lava-pés remete para um costume da vida da Igreja primitiva. De que se trata? O banho completo pressuposto só pode referir-se ao Baptismo, pelo qual o homem é imerso de uma vez por todas em Cristo e recebe a sua nova identidade de ‘ser em Cristo’. Este processo fundamental, no qual não somos nós que nos fazemos cristãos, mas nos tornamos cristãos, graças à acção do Senhor, na sua Igreja, através do Baptismo, é irrepetível!

Mas na vida dos cristãos, para a comunhão convivial com o Senhor, tal processo tem necessidade incessante de uma assimilação: «o lava-pés». De que se trata então? Não existe uma resposta absolutamente segura. Mas parece-me que a 1ª Carta de São João nos colocava na pista justa e nos indica qual é o significado. Recordemos o que diz o texto:

8Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos e a verdade não está em nós. 9Se confessamos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a iniquidade. 10Se dizemos que não somos pecadores, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós” (I Jo.1,8-10).

Uma vez que também continuam a ser pecadores, os baptizados têm necessidade daquela confissão dos pecados, que nos «purifica de toda a iniquidade».  

A palavra «purificar» cria a ligação íntima com o texto do lava-pés. Sabemos que, desde muito cedo, a confissão dos pecados era parte da vida das comunidades cristãs (cf. Tg. 5,16 e Didaché 4,14), e que antes da celebração da Eucaristia, havia uma breve confissão pública individual.

Seguramente, nesta confissão dos pecados, não se pode ainda identificar o sacramento da Penitência, tal como ele haveria de desenvolver-se no decurso da história da Igreja, mas por certo, «uma etapa rumo a ele».

No fim de contas, o núcleo é este: a culpa não deve continuar a infectar veladamente a alma, envenenando-a a partir de dentro. A culpa precisa de confissão. Através da confissão, trazemo-la à luz, expomo-la ao amor purificador de Cristo (Jo.3,20-21).

Na confissão, o Senhor lava sempre de novo os nossos pés sujos e prepara-nos para a comunhão convivial com Ele” na Eucaristia.

(cf. JOSEPH RATZINGER – BENTO XVI, Jesus de Nazaré, Parte II: Da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição, Ed. Principia, 2011, 66-69), Parede 2011, 66-69)

Exame de consciência

Deve guardar-se sempre um tempo de silêncio, a fim de cada um poder fazer o exame de consciência de modo mais pessoal. Faça-se, de modo particular, um exame acerca das promessas do Batismo, que se renovam na noite pascal.

EXAME DE CONSCIÊNCIA À LUZ DA RENOVAÇÃO DAS PROMESSAS BAPTISMAIS

Renuncio ao pecado, para viver na liberdade dos filhos de Deus? Isto é, evito, com determinação, as ocasiões e situações de pecado? Sou verdadeiramente livre, nas minhas palavras, nas minhas escolhas e nos meus gestos? Ou deixo-me influenciar pela opinião dominante, pelo modo e moda de pensar e de viver do comum das pessoas?

Renuncio às seduções do mal, para que o pecado não me escravize? Estou dominado por algum vício, por algum mau hábito, por alguma dependência? Estou dominado pela pressa, sem tempo para os outros? Estou demasiado ocupado pela TV ou pela Internet, sem um olhar crítico e seletivo, querendo ver tudo o que me é oferecido?

Renuncio a Satanás, que é autor do mal e pai da mentira? Isto é, renuncio a tudo o que me separa de Deus e me divide por dentro? Renuncio a viver uma vida de mentira e de aparência(s)?

É necessário dizer "não" à cultura da morte, que se manifesta, por exemplo, na fuga do real para uma felicidade falsa; no engano, na injustiça, no desprezo do próximo, na falta de solidariedade e de responsabilidade pelos pobres e pelos que sofrem; numa sexualidade, que se torna puro divertimento e sem responsabilidade. A esta promessa de aparente felicidade, dizemos "não", para cultivar a cultura da vida.

Creio em Deus, Pai, todo-poderoso, criador do céu e da terra? Ou tenho falsos deuses, a que me entrego, através das superstições, práticas de bruxaria e magia? Rezo, a Deus, como seu filho (a)? Rezo com confiança e amor? Confio-me a Deus?

Creio em Jesus Cristo, seu Único Filho, Nosso Senhor? Ou tenho outros senhores, que comandam a minha vida, como o dinheiro, o trabalho, o carro ou a fama?

Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja, na ressurreição e na vida eterna? Vivo a minha fé, em comunidade, ou isolo-me no meu mundo? Vivo a minha fé, com alegria e esperança? Ou tenho uma fé adormecida e triste? Comprometo-me na missão da Igreja e no melhoramento do mundo, ou contento-me com o mínimo, numa vida superficial e sem exigência?

Dizemos três vezes «sim»: "Sim" ao Deus vivo; "Sim" a Cristo, um Deus que tem um nome; "Sim" à comunhão da Igreja, na qual Cristo é o Deus vivo, que entra no nosso tempo, entra na nossa profissão, entra na vida de todos os dias. Deixemo-lO perscrutar e purificar o nosso coração. E assim renovar a nossa Vida baptismal!

III. ACTO PENITENCIAL

P- Chegou, irmãos, o tempo favorável,
chegou o dia em que Deus oferece a salvação aos homens,
em que a morte é destruída e a vida eterna começa (…).
Venha em socorro de todos nós
a misericórdia do Senhor,
que pedimos e imploramos de coração arrependido. (…)

Então, o sacerdote asperge os presentes com água benta, enquanto todos cantam um cântico apropriado, por exemplo:

Cântico: Como o veado anseia…. (ou outro, por exº: Aspergi-me, Senhor, com o hissope e ficarei puro, lavai-me e ficarei mais branco do que a neve).

P- Senhor nosso Deus,
que em vossa grande bondade criastes o homem,
por vossa infinita misericórdia o renovastes,
e depois de perder a felicidade eterna,
o remistes pelo sangue do vosso Filho,

enviai, pelo Espírito Santo,
um novo sopro de vida
sobre os que não desejais ver mortos,
e acolhei como penitentes,
os que não abandonastes quando pecadores.
 
Deixai-Vos mover, Senhor,
pela confissão humilde e confiante destes vossos filhos:

Curai-os das feridas das suas faltas,
e estendei sobre eles, agora prostrados,
a vossa mão salvadora.
Que o Corpo da vossa Igreja,
não se veja diminuído de nenhum dos seus membros,
nem o vosso rebanho sofra nenhuma perda,
nem a segunda morte tenha poder
sobre os que renasceram da água do Batismo.

Por isso, a Vós, Senhor,
apresentamos as nossas humildes preces
e as lágrimas do nosso coração.

Perdoai aos que a Vós confessam as suas faltas;
não permitais que tornem a ser feridos pelo pecado
aqueles que, do erro,
voltaram aos caminhos da santidade;

Fazei que se mantenham sãos e salvos para sempre
aqueles que, no Batismo, a vossa graça fez reviver
e que, pela penitência, a vossa misericórdia renovou.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,
que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Todos: Ámen.

Cântico: Vós que fostes batizados em Cristo… (ou o anterior, ou outro)

IV. CELEBRAÇÃO DA RECONCILIAÇÃO, COM CONFISSÃO INDIVIDUAL
P- “Irmãos: O período quaresmal é momento favorável para reconhecer a nossa debilidade, acolher, com uma sincera revisão de vida, a Graça renovadora do Sacramento da Penitência e caminhar com decisão para Cristo” (Bento XVI, Mensagem para a Quaresma 2011,3). Com verdade e de todo o coração, confessemos, de modo individual, junto do ministro da Reconciliação, os nossos pecados. Não tenhamos medo: «O Senhor está diante de nós, como Aquele que, por nós Se fez Servo, que carrega o nosso peso, dando-nos assim a verdadeira pureza, a capacidade de nosso aproximarmos de Deus» (JOSEPH RATZINGER – BENTO XVI, Jesus de Nazaré, Parte II, 69).

V. RITOS DE CONCLUSÃO
P- O Senhor esteja convosco.
Todos: Ele está no meio de nós.
P- Abençoe-vos Deus todo-poderoso,
Pai, Filho e + Espírito Santo.
Todos: Ámen.
P- Ide em paz e o Senhor vos acompanhe.
Todos: Graças a Deus.

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